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sexta-feira, julho 27, 2007

A Indústria da Miséria

O governo Lula quer fazer crer que a justiça social se alcança com uma política do mais puro assistencialismo, melhor dizendo, de esmolas.
Pratica, com requintes de “modernidade” a mesma velha política paternalista tão ao gosto dos velhos coronéis da política brasileira. . .

No Brasil, a expressão “justiça social”é empregada além da conta. Políticos, jornalistas, professores, comentaristas, não se cansam de usá-la. Às vezes de maneira adequada, mas, na maioria das vezes, de forma simplista e demagógica. Há muito esta expressão vem sendo repetida por todos aqueles que de alguma forma se julgam possuidores da fórmula mágica para se acabar com o drama da desigualdade que atinge o país, e querem fazer com que o povo acredite neles. Mas “justiça social” nunca foi tão usada quanto agora, com a ascensão do PT ao governo do país. O problema é que da palavra à ação vai uma grande distância, pois nunca também, como agora, os índices de desenvolvimento humano estiveram tão baixos, apesar da propaganda governamental insistir em dizer o contrário.

Durante anos na oposição o PT fez da busca pela justiça social a sua mais cara bandeira. Pela via da estatização, do repúdio ao mercado, do antiamericanismo, do intervencionismo, do corporativismo e, em alguns casos, da defesa de um nunca bem definido “estado socialista”. O fato é que , em nome da “justiça social” Lula e seus companheiros sempre argumentaram contra a liberdade econômica - por eles execrado sob o nome de neoliberalismo - e sempre a favor da maior presença do Estado, com o argumento de que era preciso corrigir as distorções geradas pelo capitalismo,segundo eles, o causador das desigualdades sociais e da miséria.

Uma vez no poder, viu-se que a prática petista só tem sido coerente com o seu discurso no que se refere ao tamanho da máquina estatal:eles não só aumentaram o seu tamanho como também a sua ineficiência. Quanto à Justiça social ela ficou limitada apenas aos quadros do PT e de alguns de seus aliados fisiológicos: o governo petista tem sido pródigo na distribuição de cargos e empregos aos seus amigos e aliados. Passou bem longe da massa de trabalhadores pobres e miseráveis, vítimas da injustiça social que o PT dizia combater. A verdade é que a busca pela justiça social – não a “igualdade social”, não confundam – depende de dois pressupostos que o atual governo não soube ou não quis encarar, ou sejam, a educação e o emprego. O governo Lula quer fazer crer que a justiça social se alcança com uma política do mais puro assistencialismo, melhor dizendo, de esmolas. Pratica, com requintes de “modernidade” a mesma velha política paternalista tão ao gosto dos velhos coronéis da política brasileira, que , coincidentemente ou não, se aliaram ao governo petista.

O paternalismo praticado pelo governo é cômodo , atende às necessidades do marketing governamental , e traz resultados imediatos, o suficiente para a conquista de votos nas próximas eleições. Mas não leva absolutamente à lugar algum em termos de se alcançar a justiça social. Leva, isto sim, à perpetuação da dependência do povo em relação ao Estado, o que tem sido ótimo para os políticos, prontos a renovar suas promessas a cada eleição.

Como disse, justiça social de verdade se faz com educação e com emprego. Educação de qualidade se alcança com maciços investimentos, feitos de forma racional, de tal maneira que promova a reestruturação e a diversificação dos currículos escolares, a implementação de novas tecnologias, a reciclagem dos professores,o aumento salarial dos professores e a renovação completa do ambiente escolar. Emprego se consegue com investimentos privados, liberdade de competição, diminuição dos impostos e da burocracia, desburocratização do Estado.

O governo petista não enxerga isto, ou finge não enxergar. Faz justamente o contrário. Não investe um centavo em ensino básico e desestimula a geração de empregos pela elevada taxa de juros e pela pesadíssima carga tributária. Prefere continuar a praticar as chamadas “políticas compensatórias” em vez de atacar o mal pela raiz. Prefere, assim, manter milhões sob a dependência do guarda-chuva estatal e usar isto como uma justificativa para aumentar de vez o tamanho da máquina governamental. “O Brasil precisa de um estado forte para empreender suas políticas públicas”, disse, não faz muito tempo, o ministro José Dirceu. É isto. Na verdade, os políticos deste país precisam da continuação da miséria como justificativa para manterem uma máquina pública cada vez mais inchada e que faz a alegria destes políticos.

Li no Acidez Mental

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